Palermice de Bacalhau

Junho 24, 2008

Obsessão

Filed under: Economia,Política,Portugal — Paulo Rosário @ 3:39 pm

Diz a Fernanda Câncio, e bem, desmistificando alguns conceitos de que o casamento homosexual é “algo diferente”, e destaco como identifica uma linha de raciocínio que infelizmente vejo entre amigos “Usar o preconceito e a discriminação para justificar o preconceito e a discriminação é, convenhamos, pouco sério.”

Na integra (editing da minha responsabilidade):

a 16 de junho foi lançado, na livraria almedina, no atrium saldanha, o livro ‘o casamento das pessoas do mesmo sexo’, que reúne três pareceres jurídicos apresentados ao tribunal constitucional no âmbito do recurso de helena paixão e teresa pires, duas mulheres que tentaram casar em fevereiro de 2006 numa conservatória de lisboa e que viram a sua pretensão sucessivamente rejeitada nas várias instâncias. fiz a apresentação do livro, com o texto que se segue.

Antes de mais, queria agradecer o convite para apresentar este livro, convite que muito me honra. E queria antes de mais também exprimir aqui a minha estranheza por ter descoberto, numa nota de rodapé na página 57, que a direcção da revista do Ministério Público recusou a publicação de dois dos pareceres coligidos neste volume por achar, e cito, que o ambiente não seria o ideal para a respectiva publicação e que para divulgar e debater o tema, era “melhor” pôr em confronto posições contrárias. Estando a posição contrária obviamente representada na situação e no Código Civil, esta atitude da direcção da revista do MP surge no mínimo bizarra e digna de nota, evidenciando um desconforto com este assunto que, se é habitual em vários quadrantes, nomeadamente políticos e religiosos, não seria de esperar da parte de quem se propõe debater leis e perspectivas legais.

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Nunca esperei que este dia chegasse – Será da Idade?

Filed under: Economia,Política — Paulo Rosário @ 1:48 pm

“”They are casting their problems at society. And, you know, there’s no such thing as society. There are individual men and women and there are families. And no government can do anything except through people, and people must look after themselves first. It is our duty to look after ourselves and then, also, to look after our neighbours.”

Margaret Thatcher

A verdade é que não posso deixar de concordar com esta declaração na sua essência.

Entre o estado e a sociedade

Filed under: Arte,Economia,Internacional,Palermices,Política,Portugal — Paulo Rosário @ 1:18 pm

O pessoal anda preocupado com a minha suposta “obsessão” com a homosexualidade. Falham em perceber, que no fundo a existir, a minha obsessão é com a liberdade. Ao almoço discuti com um amigo onde o estado se deve intrometer ou não. Ele aceita o estado quase como o espelho da sociedade, sendo que dá à sociedade o poder máximo. Assim se o estado proíbe a homosexualidade é porque a sociedade o proibe e acredita que a sociedade tem esse direito. Apetece-me citar Margaret Tatcher e dizer “there’s no such thing as society”, mas não acredito nisso. Mas também não acredito que a sociedade seja um “ser superior”, um Big Brother.

Esquece-se o meu amigo que no “contrato social” não abdicamos de todos os direitos e liberdades mas apenas de alguns. Obviamente lembrei-me do 1984. Onde o estado não é definido pela sociedade (tal como em Portugal, ou outro país qualquer do mundo). Argumentaria o meu amigo que “esse estado” não seria reconhecido pela população. Mas a verdade é que em 1984, Orwell mostra como um estado é reconhecido pela sociedade. Aliás é essa a genialidade de 1984 de mostrar como estado e sociedade apesar de interdependentes são coisas diferentes, e que muitas vezes, mais do que uma relação de complementaridade podem ser inimigos (um dia também hei-de escrever de como acho 1984 uma das mais geniais histórias de amor de sempre). E apesar da minha razão ideológica à esquerda, sou obrigado a reconhecer, que em muitos aspectos o estado atenta contra a liberdade e o individuo.

Afinal todo o mundo era controlado com os lemas (amigo: especial atenção para o segundo): “War is Peace; Freedom is Slavery; Ignorance is Strength.

Junho 23, 2008

Os ratos são sempre os primeiros a abandonar o navio..

Filed under: Política,Portugal — Ricardo @ 9:19 pm

Qual a melhor forma de saber que o ciclo governativo começou a virar?

Quando senhores como este se demitem (sem antes sequer ter tomado posse), fazendo disso um grande mistério e promento um livro!

Quando alguém que apoiou entusiasticamente António Costa, e chegou no auge do delirio a propor uma fusão PS/PSD, aproveita este inicio de fase descendente para mudar de rumo(?) 

Já está criado mais um caso para os próximos dias.

Claro que o resto da encenação é já conhecida: PSD convida Júdice a explicar-se na Assembleia Municipal..

Normalmente a política portuguesa não é como Roma, paga aos traidores.

 

 

 

Junho 20, 2008

Enquanto fico velho – Sobre capital social (II)

Filed under: Cinema,Política,Portugal — Paulo Rosário @ 4:04 pm

Little boxes on the hillside, Little boxes made of tickytacky
Little boxes on the hillside, little boxes all the same
There’s a green one and a pink one and a blue one and a yellow one
And they’re all made out of ticky tacky and they all look just the same.

And the people in the houses all went to the university
Where they were put in boxes and they came out all the same,
And there’s doctors and there’s lawyers, and business executives
And they’re all made out of ticky tacky and they all look just the same.

And they all play on the golf course and drink their martinis dry,
And they all have pretty children and the children go to school
And the children go to summer camp and then to the university
Where they are put in boxes and they come out all the same.

And the boys go into business and marry and raise a family
In boxes made of ticky tacky and they all look just the same.

Malvina Reynolds, música de introdução a Weeds

O engraçado é que esta música que pode muito bem descrever, Telheiras, Cascais, Odivelas e tantos outros sítios foi escrita à 40 anos. Dá que pensar.

Conta a lenda que esta senhora escreveu a música ao passar por uma cidade suburbana americana, meses depois a Revista Time quis tirar uma foto com a senhora nessa mesma cidade. Foi impossível. A cidade tinha crescido muito, mas com tantas casas iguais que não foi possível identificar o local.

E esta senhora, ui…

Enquanto fico velho – Sobre capital social (I)

Filed under: Economia,Política,Portugal — Paulo Rosário @ 9:48 am

As visitas a casas de amigos caíram 35% nos últimos 25 anos nos EUA. Estes números não me costumavam preocupar, e lembro-me bem que quando tive de estudar o “capital social” todo aquele discurso me pareceu extremamente ideológico e altamente irrelevante. No entanto à medida que vou ganhando rugas, quilos e dores nas costas a questão começa-me a preocupar e a tornar-se interessante. O momento de viragem neste debate foi o artigo/livro de Robert Putman, “Bowling Alone”, que começa, ao que parece, com esta premissa: Nunca houve tantos jogadores de bowling, no entanto cada vez há menos ligas de bowling. Um facto paradoxal já que o bowling, nos EUA, é um jogo com uma alta componente social. A solução do paradoxo? Cada vez há mais americanos a jogarem bowling sozinhos, e esta acaba por ser a metáfora da quebra do capital social.

Embora não conheça estudos sobre capital social em Portugal, acredito que a tendência dos números não devam divergir muito da dos americanos. Vejamos, em vinte cinco anos, os jantares em família decresceram 43%, a participação em clubes e reuniões 58%. Podemos argumentar que isto é devido a um novo “estilo de vida”, mas fica sempre a questão vale a pena este novo estilo de vida? Além de que é difícil acreditar nesse argumento, já que a semana média de trabalho tem vindo a decrescer ao longo das últimas décadas. Gostava de ter uma solução, mas não tenho, pelo que fico pela preocupação.

Um último facto,

“Every ten minutes of commuting reduces all forms of social capital by 10%”

Basta olhar para a volta de Lisboa e fazer as contas. Alguém quer acrescentar algo?

(creio que será um tama a continuar, nomeadamente com possiveís consequências económicas)

Junho 19, 2008

Os médicos metem medo, muito medo

Filed under: Política,Portugal — Rui Cabral @ 8:47 am

Devido ao exôdo dos médicos espanhóis que trabalhavam no interior do país eu sugeri o aumento do numerus clausus de medicina. No entanto os médicos metem medo, muito medo.

Vale tudo, inclusive contratar 15 médicos uruguaios através de um “protocolo entre Portugal e Uruguai”. Gostava de conhecer este protocolo… Sócrates surpreendeu-me ao ser duro no inicio do seu mandato mas a sua atitude de final de mandato, infelizmente, não me surpreende. Por norma a população portuguesa tem medo de enfrentar os seus médicos, porque é que os políticos haveriam de ser diferentes?

Junho 18, 2008

A nossa esquerda moderna, ou porque é estúpido ser anti-americano

Filed under: Justiça,Política,Portugal — Paulo Rosário @ 11:16 am

Acredito em ideologias, mas reconheço que um grande problema de uma etiqueta ideológica como “a esquerda” é que as causas de “esquerda” não se somam. Senão vejamos: por um lado existe a defesa do multi culturalismo e da livre circulação de pessoas, mas depois do outro, ainda dentro da esquerda, temos o movimento sindical que “defende” apenas alguns, de alguns países, de alguns sítios, de alguns sectores. Mas se considero ser esse o exemplo mais flagrante, creio que é na “defesa” da homosexualidade que as coisas batem menos certo hoje em dia. A luta dos direitos gay, não sei bem como, passou a ser uma causa de esquerda. Mas como? Compreendo que em termos gerais o seja, mas historicamente nunca o foi. Não foi o Ary dos Santos constantemente crispado pelo PCP face à sua assumida homosexualidade? Não foi a homosexualidade proibida na União Soviética? Quando olho para muitos amigos de esquerda, como eu, o que vejo é a defesa da causa homosexual não tanto por acreditarem nela (porque no fundo “os maricas fazem-me espécie”), ao contrário de mim, mas simplesmente por ser uma questão fracturante. A verdade disto é facilmente constatável nos cartazes que a JS espalhou por Lisboa; há uns anos umas meninas num beijo molhado apelando a mentalidade “porno-erótica” e machista de cada um de nós, numa lógica de que as lésbicas não são bem lésbicas. Tentaram redimir-se o ano passado mas saiu pior a emenda que o soneto: apenas dois rapazes lado a lado dizendo que são iguais, porque o respeitinho é bonito e beijos entre homens é que não. Falam os lideres da esquerda, e do meu partido, que a “altura não é a certa”, mas porque não? Alguém fica a perder? Eliminar três palavras na lei (de sexo diferente) é difícil ou é apenas mais um sintoma de simples falta de coragem. Caiu o mundo em Espanha? Nem falemos da igreja católica, pois ela aqui no reino ao lado tem uma influência mais avassaladora. Ser moderno não pode ser um autocolante, não pode ser um lema vazio como “mais e melhor”. Têm de ser actos.

Esta semana o acto vêm exactamente do sítio que muito boa esquerda tende a pensar como ultra-conservadora. A Califórnia legalizou os casamentos entre dois adultos livres. Não caiu nem nenhum carmo, nem nenhuma trindade.

Estou farto. Não tenho amigos gay, ou que se afirmem como tal. No entanto, recuso-me a que esta discriminação continue.  Elejo esta causa a partir de hoje como definidora do meu voto, não será condição suficiente, mas será necessária. Recuso-me a votar num partido que continue a pactuar com esta discriminação, e é óbvio que não vou deixar que a minha filiação partidária afecte esta decisão. Olho para Auschwitz, e vejo que a lei do meu país já não persegue nenhum grupo dos que lá morreram, excepto os homosexuais. E tu, até quando vais pactuar com isto?

Junho 17, 2008

Naturalmente!

Filed under: Política,Portugal — douradodossantos @ 11:56 am

                                                  

Depois de terem feito a vontade aos pescadores e de terem cedido aos camionistas, estavam à espera do quê? Jaime Silva abriu a caixa de pandora das ajudas.

E verdade seja dita, agora até apetece dizer que é justo. Não porque o preço dos combustíveis esteja elevado (que está) e a população sinta a carteira mais vazia (que sente). Simplesmente porque se está difícil para uns também está para os outros. Se uns precisam, os outros não precisaram menos. Quase como que um “É bem feita”! Se a solução é fazer barulho, então barulho teremos. Os rebocadores já se perfilam na fila. E as empresas de transportes públicos? Demorarão muito tempo? E as industrias dependentes do petróleo?  Quanto tempo demorará até vermos por aí os taxistas a cortar todas as estradas? Afinal eles dependem tanto do combustível como os camiões! Qual o critério para ajudar uns e não outros? A capacidade de fazer barulho? De parar o país?

Para já a festa segue com os condutores. O primeiro buzinão é já hoje. Afinal o cidadão comum até é quem paga o combustível ao preço mais elevado de todos.

                                                       

E lá vamos todos, contribuindo para o lucro de alguns. Daqueles que não são capazes de ser lucrativos. E que exigem que o país arque com os seus prejuízos.

Hoje tomamos rumos diferentes José

Filed under: Política,Portugal — Paulo Rosário @ 9:06 am

Não votei em Sócrates. No entanto fui apoiante do governo para ai desde o terceiro mês. Foi a primeira vez que apoiei um governo.
Mas hoje e o dia que volta tudo a estaca zero, que deixo de apoiar Sócrates. E se e verdade que nao me torno um opositor, nem um crítico de taberna, não é menos verdade que a governação dos proximos meses irá contar, no mínimo, com a minha indiferença. Admirei Sócrates por uma ideia de coragem que muitos teimaram em confundir com autoritarismo, alguns talvez desejando um estilo mais Guterres. Ai o têm. Em duas ou tres semanas, primeiro com os pescadores e depois ainda mais vergonhosamente com os camionistas, Sócrates destruiu a imagem que tinha dele.
As eleições sao apontadas como a grande justificação para este golpes de rins. A ser verdade é um erro político e estratégico. Sócrates não precisava disto para ser reeleito, e quanto a contas de maiorias absolutas é ridículo um governo fazer contas a maiorias absolutas a 15 meses de distância. Mas o que assusta é que esta falta de coragem representa a falta de coragem que há-de afectar qualquer governação futura. Veremos vez após vez falar em “prioridades”, quando em politica estas nem sempre existem. Vale mais um hospital do que qualquer estrada? Não sabemos. Desisto assim de ver, por exemplo, a legalização dos casamentos entre quaisquer dois indivíduos em Portugal. Falta coragem. Falta liberdade. Falta um espírito democrático puro. Hoje, acordei enjoado com a minha esquerda*.

*Tópico a desenvolver um dia destes
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