Palermice de Bacalhau

Julho 1, 2008

Teixeira dos Santos, “O optimista”

Filed under: Economia,Política,Portugal — Rui Cabral @ 9:13 am

A política económica é feita de lags, uma vez que nunca é imediata. Por isso é que quando tomamos uma decisão de política económica devemos ter em conta o passado, o presente e os vários cenários de futuro. Foi isto que escapou a Teixeira dos Santos quando decidiu baixar o IVA 1% num mês onde se irá sentir um grande fluxo de comércio devido ao turismo.

Se por um lado é certo que Teixeira dos Santos nunca acreditou que o petróleo ultrapassasse os 70 dolares por barril, a verdade é que já assumia que errou. A política económica do Ministro das Finanças pretende transmitir optimismo, mas quando esse optimismo é cego passa a ser um optimismo sem credibilidade para os agentes económicos e essa não vale de nada.

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Junho 26, 2008

Outros custos escondidos dos movimentos pendulares

Filed under: Economia,Internacional,Portugal — Paulo Rosário @ 2:17 pm

Há uns dias quando escrevi sobre os custos escondidos de comprar casas fora do centro, alguém me disse que estes custos eram psicológicos e que não davam para pagar férias. Mas a verdade é que estes custos não são meramente psicológicos, e mesmo que o fossem, a parte psicológica é parte fundamental do meu ser.

Como consequência dos elevados custos de transporte, subida do petróleo e tal, e visto que esta subida deve muito pouco aos especuladores como tanta boa gente gostava de acreditar, notícia o NY Times, como as casas suburbanas têm vindo a desvalorizar a um ritmo muito mais acelerado que as casas “mais próximas”. Afinal como diz um suburbano, complementando a imagem incompleta de outros suburbanos:

“Living closer in, in a smaller space, where you don’t have that commute,” he said. “It’s definitely something we talk about. Before it was ‘we spend too much time driving.’ Now, it’s ‘we spend too much time and money driving.’ ”

Financiamento ao Crime

Filed under: Economia,Justiça,Política,Portugal — Rui Cabral @ 1:52 pm

A PJ apreendeu haxixe num barco de pesca, engraçado é pensar que o dono deste barco de pesca provavelmente terão estado nas manifestações para obterem o gásoleo mais barato. Mais engraçado ainda é pensar que o gasóleo que eles tinham no barco é financiado pelo o Estado Português, ou seja, nós todos.

Dúvidas houvessem

Filed under: Economia,Internacional,Política — Paulo Rosário @ 10:50 am

Agora que as primárias acabam, o meu apoio, e uns eventuais 20 doláres irão para Obama. A foto parece confirmar algumas teses antigas. É também no mínimo curioso que o ipod de Obama seja alvo da análise política de vários jornais e bloggers.

Junho 25, 2008

Menos Estado, porque não?

Filed under: Economia,Política,Portugal — Rui Cabral @ 9:23 am

José Castro Caldas fez uma descoberta interessante: A diminuição do peso do Estado no PIB tem vindo a reflectir-se nas comprasr do Estado.

Isto para mim são boas noticias, significa que o Estado está a procurar gastar menos mas mantendo os mesmos serviços (e espero, a qualidade dos mesmos). No entanto este ladrão de bicicletas é cego por crenças e fé tirando conclusões absurdas. Por um lado refere que a despesa pública no PIB diminui e que o “monstro fica mais magro” mas por outro diz que “não fica mais barato”. Os gráficos no post referem exactamente o contrário, fica mais barato.

Ricardo Paes Mamede põe-se a fazer um enorme esforço para tentar justificar que na realidade esta “faceta do neoliberalismo” (qual? a de comprar mais barato em vez de sermos nós a produzir?) com custos de regulação, como se estes não estivessem incluídos no “total da despesa pública do Estado”.  No final deixa um outro argumento brilhante:

“E a comunidade, há alguém capaz de garantir que fica melhor servida?” do mesmo modo poderemos perguntar: “E a comunidade, há alguém capaz de garantir que não fica melhor servida?

Agrada-me que o Estado, ao qual contribuo alegremente todos os meses, faça uma boa gestão do meu dinheiro e entregue à provisão privada aquilo que deve ser entregue.

Eu, não falto um dia ao meu trabalho para tentar arranjar uma máquina de lavar, recorro a um especialista se aquilo que eu tiver de lhe pagar for inferior ao dinheiro que perco por não ir trabalhar. Porque é que o Estado há-de ser diferente? Porque é que estas pessoas são “neoliberais” nos seus lares e “anti-neliberais” com o dinheiro dos outros?

Junho 24, 2008

Perguntar ofende

Filed under: Economia,Política,Portugal — Paulo Rosário @ 3:50 pm

“We hold  these truths to be self-evident: That all men are created equal.”

Ou muito me engano ou esta é uma das melhores frases do mundo. E se assumimos este axioma, e eu assumo, não faz sentido questionarmos outros sobre algo que é “self-evident”, sobre o risco de nos contradizermos. E de no final de conta afirmarmos nós próprios, ainda que de forma indirecta, que nem todos os homens são criados como iguais.

Obsessão

Filed under: Economia,Política,Portugal — Paulo Rosário @ 3:39 pm

Diz a Fernanda Câncio, e bem, desmistificando alguns conceitos de que o casamento homosexual é “algo diferente”, e destaco como identifica uma linha de raciocínio que infelizmente vejo entre amigos “Usar o preconceito e a discriminação para justificar o preconceito e a discriminação é, convenhamos, pouco sério.”

Na integra (editing da minha responsabilidade):

a 16 de junho foi lançado, na livraria almedina, no atrium saldanha, o livro ‘o casamento das pessoas do mesmo sexo’, que reúne três pareceres jurídicos apresentados ao tribunal constitucional no âmbito do recurso de helena paixão e teresa pires, duas mulheres que tentaram casar em fevereiro de 2006 numa conservatória de lisboa e que viram a sua pretensão sucessivamente rejeitada nas várias instâncias. fiz a apresentação do livro, com o texto que se segue.

Antes de mais, queria agradecer o convite para apresentar este livro, convite que muito me honra. E queria antes de mais também exprimir aqui a minha estranheza por ter descoberto, numa nota de rodapé na página 57, que a direcção da revista do Ministério Público recusou a publicação de dois dos pareceres coligidos neste volume por achar, e cito, que o ambiente não seria o ideal para a respectiva publicação e que para divulgar e debater o tema, era “melhor” pôr em confronto posições contrárias. Estando a posição contrária obviamente representada na situação e no Código Civil, esta atitude da direcção da revista do MP surge no mínimo bizarra e digna de nota, evidenciando um desconforto com este assunto que, se é habitual em vários quadrantes, nomeadamente políticos e religiosos, não seria de esperar da parte de quem se propõe debater leis e perspectivas legais.

(more…)

Nunca esperei que este dia chegasse – Será da Idade?

Filed under: Economia,Política — Paulo Rosário @ 1:48 pm

“”They are casting their problems at society. And, you know, there’s no such thing as society. There are individual men and women and there are families. And no government can do anything except through people, and people must look after themselves first. It is our duty to look after ourselves and then, also, to look after our neighbours.”

Margaret Thatcher

A verdade é que não posso deixar de concordar com esta declaração na sua essência.

Entre o estado e a sociedade

Filed under: Arte,Economia,Internacional,Palermices,Política,Portugal — Paulo Rosário @ 1:18 pm

O pessoal anda preocupado com a minha suposta “obsessão” com a homosexualidade. Falham em perceber, que no fundo a existir, a minha obsessão é com a liberdade. Ao almoço discuti com um amigo onde o estado se deve intrometer ou não. Ele aceita o estado quase como o espelho da sociedade, sendo que dá à sociedade o poder máximo. Assim se o estado proíbe a homosexualidade é porque a sociedade o proibe e acredita que a sociedade tem esse direito. Apetece-me citar Margaret Tatcher e dizer “there’s no such thing as society”, mas não acredito nisso. Mas também não acredito que a sociedade seja um “ser superior”, um Big Brother.

Esquece-se o meu amigo que no “contrato social” não abdicamos de todos os direitos e liberdades mas apenas de alguns. Obviamente lembrei-me do 1984. Onde o estado não é definido pela sociedade (tal como em Portugal, ou outro país qualquer do mundo). Argumentaria o meu amigo que “esse estado” não seria reconhecido pela população. Mas a verdade é que em 1984, Orwell mostra como um estado é reconhecido pela sociedade. Aliás é essa a genialidade de 1984 de mostrar como estado e sociedade apesar de interdependentes são coisas diferentes, e que muitas vezes, mais do que uma relação de complementaridade podem ser inimigos (um dia também hei-de escrever de como acho 1984 uma das mais geniais histórias de amor de sempre). E apesar da minha razão ideológica à esquerda, sou obrigado a reconhecer, que em muitos aspectos o estado atenta contra a liberdade e o individuo.

Afinal todo o mundo era controlado com os lemas (amigo: especial atenção para o segundo): “War is Peace; Freedom is Slavery; Ignorance is Strength.

Junho 23, 2008

Crise de Liquidez

Filed under: Economia — Rui Cabral @ 10:00 pm

Portugal vive, mais uma vez, uma situação de crise. Desta vez sofremos impactos externos causados pela chamada “crise de liquidez”. Mas como é que esta coisa da liquidez funciona ou pode originar crises?

No post Custos Escondidos é referido que as pessoas devem ter em conta um valor elevado (€40.200) quando optam em comprar casa num local central ou num local em que são obrigadas a movimentarem-se pendularmente. Este é um exemplo mais óbvio de como a liquidez nos pode causar problemas. Vamos imaginar que Paulo Rosário tem razão, vamos mais além e imaginar que os custos estão subestimados e são €80.000. A Carla precisa de comprar um T2 e encontrou um na Amadora por €140.000. No entanto, a Carla prefere qualquer apartamento igual no centro da cidade, desde que este custe menos que €220.000 e teve a sorte de encontrar um com as mesmas condições por €200.000! Um verdadeiro achado!

Tudo corria bem até a Carla ir ao Banco. Foi-lhe dito que apenas lhe seria concedido crédito até €150.000, pois era o máximo que ela podia suportar. A Carla “optou” por viver nos suburbios pois não tinha liquidez para pagar os €60.000 de diferença entre os apartamentos e ficou agarrada a uma escolha “irracional”.

Este é o problema da liquidez não ocorre apenas quando temos activos não liquidos (e.g. casas) e poucos ou nenhuns activos liquidos (e.g. dinheiro) mas também quando temos oportunidades interessantes mas não temos hipóteses de as concretizar.

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