Palermice de Bacalhau

Junho 20, 2008

Enquanto fico velho – Sobre capital social (II)

Filed under: Cinema,Política,Portugal — Paulo Rosário @ 4:04 pm

Little boxes on the hillside, Little boxes made of tickytacky
Little boxes on the hillside, little boxes all the same
There’s a green one and a pink one and a blue one and a yellow one
And they’re all made out of ticky tacky and they all look just the same.

And the people in the houses all went to the university
Where they were put in boxes and they came out all the same,
And there’s doctors and there’s lawyers, and business executives
And they’re all made out of ticky tacky and they all look just the same.

And they all play on the golf course and drink their martinis dry,
And they all have pretty children and the children go to school
And the children go to summer camp and then to the university
Where they are put in boxes and they come out all the same.

And the boys go into business and marry and raise a family
In boxes made of ticky tacky and they all look just the same.

Malvina Reynolds, música de introdução a Weeds

O engraçado é que esta música que pode muito bem descrever, Telheiras, Cascais, Odivelas e tantos outros sítios foi escrita à 40 anos. Dá que pensar.

Conta a lenda que esta senhora escreveu a música ao passar por uma cidade suburbana americana, meses depois a Revista Time quis tirar uma foto com a senhora nessa mesma cidade. Foi impossível. A cidade tinha crescido muito, mas com tantas casas iguais que não foi possível identificar o local.

E esta senhora, ui…

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Junho 2, 2008

Strangers on a train – Post a pedido – 100 euros não é caro

Filed under: Cinema,Economia,Política,Portugal — Paulo Rosário @ 7:33 pm

Pede um leitor, e amigo, um post sobre o preço de 100 euros previsto para a viagem Madrid-Lisboa. Pede bem, e em altura oportuna. Ainda hoje Krugman publica no seu blogue sobre o afastamento dos europeus dos comboios. Os números, como podem ver com o Krugman, mostram bem as diferenças que se acentuaram desde os anos oitenta. Os europeus usam pouco os comboios, principalmente no transporte de mercadorias. E se em alguma coisa funcionar o TGV vai ser no transporte de mercadorias. Não podemos querer ser eficientes ecologicamente/economicamente/socialmente e ignorar os comboios.

Mas e mesmo assim, em transporte de passageiros, 100 euros não é caro. Fala o nosso leitor, e relembro amigo, que os bilhetes de avião estão a 89 euros ida-e-volta, no entanto isso não é o preço médio mas “o melhor que se arranja”, como poderão ver na noticia teremos possivelmente bilhetes a dez euros para Madrid pelo que não estamos a comparar o mesmo número.

Finalmente para aqueles que acreditam na futura escalada do preço do petróleo, que não é o meu caso, o comboio promete mais por ser mais insensível aos custos do petróleo.

Maio 21, 2008

Sobre o bom senso

Filed under: Cinema,Desporto,Economia,Futebol,Política,Portugal,Viagens — Paulo Rosário @ 4:16 pm

É tema recorrente a falta de bom-senso da ASAE. Tremenda ilusão, bom senso é sempre uma avaliação pessoal. O que é de bom senso para mim é de extremo mau senso para quem está ao meu lado. E por isso é que a justiça é cega, não podemos permitir que juízos normativos de bom senso se sobreponham à lei que se assume que foi feita a partir do tal bom senso que afinal é como qualquer outra coisa, subjectivo.

Educado no escuro (uma pequena nota)

Filed under: Cinema — Paulo Rosário @ 10:09 am

Mais do que um filme sobre policias e ladrões, bem ou mal, “Nós controlamos a noite” (We own the night) é um filme sobre educação. Assistimos à conversão de Bob Green (um taciturno Joaquim Phoenix) que assume o papel de filho pródigo, mas aqui a conversão não se dá pela experiência do sabor do bem e do mal, mas apenas por um percurso que era inevitável e que tinha de percorrer. No inicio do filme ficamos com a sensação que iremos assitir a algum re-re-make de Departed, mas a verdade é que encontramos neste filme de James Gray algo mais profundo, e algo de tecnicamente mais perfeito. Encontramos aqui um filme clássico, de policias e ladrões com vingança à mistura, mas de uma forma diferente, não vemos policias que são “durões” à la Dirty Harry, vemos policias a quem as balas deixam marcas psicológicas. Mas também encontramos aqui um filme moderno, encontramos um par de cenas que são a prova viva que ainda é possível fazer algo de novo no cinema. Temos uma perseguição automóvel que considero ser já uma das clássicas dentro do género, o espectador entra ele próprio no carro, esta transposição não é feita através de efeitos especiais que transmitam grandes velocidades, aliás a perseguição nem é a alta velocidade com manobras improváveis, entramos dentro do carro pelo medo. Sentimos a pulsação das personagens como se fossem as nossas (truque também usado genialmente num negócio de droga). Mas no fim ficamos sempre com uma imagem escura deste filme, que embora não sendo um filme noir, faz relembrar algo tipo irmãos Cohen sem humor (sem que isto seja um handicap). Quase que como uma lição aos filmes portugueses que são de uma escuridão deprimente, em We own the night, o escuro é uma ferramenta artística, uma lição, de cinema. Um filme que é, sem dúvida alguma, um dos filmes do ano.

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