Palermice de Bacalhau

Junho 23, 2008

Crise de Liquidez

Filed under: Economia — Rui Cabral @ 10:00 pm

Portugal vive, mais uma vez, uma situação de crise. Desta vez sofremos impactos externos causados pela chamada “crise de liquidez”. Mas como é que esta coisa da liquidez funciona ou pode originar crises?

No post Custos Escondidos é referido que as pessoas devem ter em conta um valor elevado (€40.200) quando optam em comprar casa num local central ou num local em que são obrigadas a movimentarem-se pendularmente. Este é um exemplo mais óbvio de como a liquidez nos pode causar problemas. Vamos imaginar que Paulo Rosário tem razão, vamos mais além e imaginar que os custos estão subestimados e são €80.000. A Carla precisa de comprar um T2 e encontrou um na Amadora por €140.000. No entanto, a Carla prefere qualquer apartamento igual no centro da cidade, desde que este custe menos que €220.000 e teve a sorte de encontrar um com as mesmas condições por €200.000! Um verdadeiro achado!

Tudo corria bem até a Carla ir ao Banco. Foi-lhe dito que apenas lhe seria concedido crédito até €150.000, pois era o máximo que ela podia suportar. A Carla “optou” por viver nos suburbios pois não tinha liquidez para pagar os €60.000 de diferença entre os apartamentos e ficou agarrada a uma escolha “irracional”.

Este é o problema da liquidez não ocorre apenas quando temos activos não liquidos (e.g. casas) e poucos ou nenhuns activos liquidos (e.g. dinheiro) mas também quando temos oportunidades interessantes mas não temos hipóteses de as concretizar.

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8 comentários »

  1. A frase “A Carla precisa de comprar um T2”, não faz o mínimo sentido. As pessoas não “precisam”, fazem escolhas entre recursos escassos e desejos ilimitados. A carla precisa tanto de um T2 como de um T10. Ou seja, prefere um t2 a um t1, há uns dias um amigo disse “daqui a dez anos um t2 não me chega”, escusado dizer a gargalhada geral que foi.

    Comentar por Paulo Rosário — Junho 24, 2008 @ 8:27 am | Responder

  2. Discordo completamente com essa afirmação. As necessidades existem e variam ao longo do tempo. Amartya Sen consagra a participação social como uma necessidade independentemente de teres ou não recursos para isso. A tua visão é altamente limitadora. Eu tenho 2 filhos tenho a necessidade de comprar um T2, mas posso viver num T0, ou até viver debaixo da ponte, embora viva em condições abaixo daquilo que é considerado pela nossa sociedade como o mínimo. Posso sobreviver a pão e água mas necessito de uma alimentação equilibrada.

    Por esta razão tens consagrado na tua constituição um conjunto de direitos (educação, habitação) que são independentes da tua condição social e que não são apenas uma “escolha”. A Carla precisa de um T2 porque tem dois filhos e não tem dinheiro para um T3, ambos vão ter de dormir no mesmo quarto..

    Comentar por Rui Cabral — Junho 24, 2008 @ 9:13 am | Responder

  3. Paulo, ainda bem que eu não tenho “necessidade”. Um T0 ou um T2 são exactamente a mesma coisa. Aliás, de facto eu não tenho necessidade porque esta surge de uma escolha minha. Se eu não tiver filhos até o meu quarto na casa dos meus pais me serve. Se tenho tecto e comida qual a necessidade de uma casa?
    A “Carla” coitada, fez uma má escolha, decidiu ter filhos o que lhe gerou a necessidade de uma casa com condições dignas para todos viverem.
    O teu comentário é de uma irracionalidade tremenda. Eu não preciso de um T10, mas posso perfeitamente precisar de um T1. Depois posso precisar de um T2 e mais tarde de um T3, conforme a familia for aumentando. E se fizer 10 filhos, sim se calhar até preciso de um T10, ou achas que consigo por todos a dormir num quarto? Empilhados até poupo nos cobertores!

    Comentar por Douradodossantos — Junho 24, 2008 @ 10:27 am | Responder

  4. Ok. Eu faço contas sérias, tento ter um discurso sério, e vocês vem com truques retóricos baixos. Infelizmente mostram que desconhecem o país que vivem. Pensas que por terem a capacidade de terem um quarto por filho isso é extendivel à totalidade da população?

    Comentar por Paulo Rosário — Junho 24, 2008 @ 11:15 am | Responder

  5. E porque pode alguem “precisar de um t2” e não precisar de uma casa na rua augusta?

    Comentar por Paulo Rosário — Junho 24, 2008 @ 11:22 am | Responder

  6. Eu não digo que “não pode precisar” a única pessoa que defende que “as pessoas não precisam” és tu. Não é truque retórico, apenas te dei um exemplo do que, para mim, é uma necessidade e não uma escolha. Poderia ter falado numa mãe acamada em vez de duas crianças.

    Comentar por Rui Cabral — Junho 24, 2008 @ 12:52 pm | Responder

  7. As únicas coisas que as pessoas precisam é:
    – Comer
    – Dormir
    – Foder

    Todas outras necessidades podem ser evitadas caso seja preciso. Provavelmente estão aqui falar no “precisar” que é de facto um “querer” insaciável nos seres humanos.

    Comentar por bone vermelho — Junho 24, 2008 @ 1:00 pm | Responder

  8. Bone, a frase

    “Provavelmente estão aqui falar no “precisar” que é de facto um “querer” insaciável nos seres humanos.”

    Explica bem a mensagem que ando a querer passar.

    Comentar por Paulo Rosário — Junho 24, 2008 @ 1:22 pm | Responder


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