Palermice de Bacalhau

Junho 18, 2008

A nossa esquerda moderna, ou porque é estúpido ser anti-americano

Filed under: Justiça,Política,Portugal — Paulo Rosário @ 11:16 am

Acredito em ideologias, mas reconheço que um grande problema de uma etiqueta ideológica como “a esquerda” é que as causas de “esquerda” não se somam. Senão vejamos: por um lado existe a defesa do multi culturalismo e da livre circulação de pessoas, mas depois do outro, ainda dentro da esquerda, temos o movimento sindical que “defende” apenas alguns, de alguns países, de alguns sítios, de alguns sectores. Mas se considero ser esse o exemplo mais flagrante, creio que é na “defesa” da homosexualidade que as coisas batem menos certo hoje em dia. A luta dos direitos gay, não sei bem como, passou a ser uma causa de esquerda. Mas como? Compreendo que em termos gerais o seja, mas historicamente nunca o foi. Não foi o Ary dos Santos constantemente crispado pelo PCP face à sua assumida homosexualidade? Não foi a homosexualidade proibida na União Soviética? Quando olho para muitos amigos de esquerda, como eu, o que vejo é a defesa da causa homosexual não tanto por acreditarem nela (porque no fundo “os maricas fazem-me espécie”), ao contrário de mim, mas simplesmente por ser uma questão fracturante. A verdade disto é facilmente constatável nos cartazes que a JS espalhou por Lisboa; há uns anos umas meninas num beijo molhado apelando a mentalidade “porno-erótica” e machista de cada um de nós, numa lógica de que as lésbicas não são bem lésbicas. Tentaram redimir-se o ano passado mas saiu pior a emenda que o soneto: apenas dois rapazes lado a lado dizendo que são iguais, porque o respeitinho é bonito e beijos entre homens é que não. Falam os lideres da esquerda, e do meu partido, que a “altura não é a certa”, mas porque não? Alguém fica a perder? Eliminar três palavras na lei (de sexo diferente) é difícil ou é apenas mais um sintoma de simples falta de coragem. Caiu o mundo em Espanha? Nem falemos da igreja católica, pois ela aqui no reino ao lado tem uma influência mais avassaladora. Ser moderno não pode ser um autocolante, não pode ser um lema vazio como “mais e melhor”. Têm de ser actos.

Esta semana o acto vêm exactamente do sítio que muito boa esquerda tende a pensar como ultra-conservadora. A Califórnia legalizou os casamentos entre dois adultos livres. Não caiu nem nenhum carmo, nem nenhuma trindade.

Estou farto. Não tenho amigos gay, ou que se afirmem como tal. No entanto, recuso-me a que esta discriminação continue.  Elejo esta causa a partir de hoje como definidora do meu voto, não será condição suficiente, mas será necessária. Recuso-me a votar num partido que continue a pactuar com esta discriminação, e é óbvio que não vou deixar que a minha filiação partidária afecte esta decisão. Olho para Auschwitz, e vejo que a lei do meu país já não persegue nenhum grupo dos que lá morreram, excepto os homosexuais. E tu, até quando vais pactuar com isto?

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2 comentários »

  1. Deveriam ser tratados da mesmo forma que os pacientes diagnosticados como psicologicamente instáveis

    Comentar por Mr. George — Junho 18, 2008 @ 10:27 pm | Responder

  2. Muito bem, adorei!
    As pessoas hojem em dia dizem “ah e tal, nao sou contra” mas na realidade, se virem o minimo pormenor ficam completamente chocadas. É de uma discriminação incrivel.

    Comentar por Joana Santos — Junho 18, 2008 @ 10:59 pm | Responder


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