
Onze da noite e ainda a trabalhar. Hoje apetece-me dizer que se foda a estabilidade, e os seguros de saúde, e os empregos certinhos. O que eu gostava era de estar a recibos verdes, queixar-me da má sorte da minha vida num café do bairro alto às três da tarde, enquanto vejo no multibanco cair mais uma bolsa de investigação do “complexia,” ou “societas”, ou sei lá que centro de investigação sobre questões pertinentes e fundamentais nomeadamente nas sociedades ocidentais e orientais.

Foi hoje publicado o relatório da Amnistia Internacional para 2008. Desta vez o relatório passa uma importante mensagem global – Começar a agir!
O relatório exorta os governos mundiais a pedir desculpa por 60 anos de fracasso em matéria de direitos humanos e a passar à acção. E com razão. De facto, situações como o Darfur, Iraque, Myanmar, Gaza ou Zimbabué não devem (atrevo-me a dizer, não podem) continuar a ser ignoradas. Impõe-se que o mundo finalmente desperte para estes problemas e comece a agir.
O Relatório da Amnistia Internacional é já um marco da consciência cívica do planeta. Quando parece que já estamos tão inebriados de violência e de desumanidade que já nem reagimos, este relatório anual serve para nos despertar do torpor e fazer-nos reflectir sobre a situação do mundo. Só por isso merece o meu louvor. É a pedra no charco, que com coragem nos obriga a ver o que muitas vezes preferimos ignorar.
Uma nota final: Portugal continua a ser referido no relatório. Contudo não devem deixar de ser referidas as melhorias apontadas. A violência doméstica extravasa sociedades e estratos sociais (veja-se em Espanha) e tem sido combatida com a consciencialização da sociedade e o aumento dos apoios às vitimas. No campo da imigração existiram evoluções nos direitos das vítimas de tráfico e dos imigrantes ilegais. Por fim sobram os abusos da polícia e a guerra ao terror. Convém não diaobolizar a questão dos abusos policiais. Estes existem porque existem bons e maus polícias. E é preciso limitar os últimos. Mas que não se utilize este argumento para limitar a acção destes e limitar os seus poderes. Quanto à guerra ao terror e à passagem pelo nosso território de voos com prisioneiros de guantanamo… enfim, é o resultado da política que se conhece.
Veja o relatório completo aqui.

É como o nosso presidente e 95% dos taxistas, acredita que o preço do petróleo é puramente especulativo? É a favor dos transportes públicos e chora quando estes finalmente recebem o maior incentivo da história? Então ganhei dinheiro! Venda futuros de petróleo, é fácil, estará a vender petróleo ao dia de hoje para mais tarde pagar com o preço desse dia. Como o petróleo “não pode ficar assim para sempre”, não está a arriscar nada. Não me precisa de agradecer.
Agora, se acreditam mesmo que isto é puramente especulativo e não vendem petróleo das duas uma: ou me explicam porque não querem ganhar dinheiro, ou por favor, calem-se.
Como é óbvio, esta entrada também se aplica aqueles que vaticinam o petróleo a 200 dólares, basta trocar a palavra vender por comprar.