
Os pescadores portugueses que usam barcos ingleses, com motores alemães e redes marroquinas, que pescam em águas internacionais e vendem orgulhosamente bacalhau norueguês ficaram hoje indignados por se vender peixe espanhol na praça, como aliás se deve vender em todos os outros dias, é a mentalidade europeia que temos.
No fim até vi um pescador defender a ASAE por o peixe não poder ser vendido em caixas de madeira (ao contrário do que sucede em Espanha). Estranho mundo onde os que querem acabar com um monopólio (da GALP) acham que a melhor maneira é criar o seu próprio, o das pescas.

Ao fim de sete anos a morar numa cidade, fui finalmente vítima de um carteirista (bolsojacking ?). Levaram-me o telemóvel, que ainda só tinha uma semanita, mas o mais chato é que vou ter de passar os contactos à mão para o novo cartão.
Mas como em muitas coisas, a minha atitude é confusa. Por um lado chateado pela perda, por outro admiro a arte do gajo(ou gaja) que me tirou um telemóvel do bolso sem eu sentir. Olé!
Por fim, continuo a achar Lisboa uma cidade segura.

Quando os jornais começam a falar em números é quase certo que vão misturar alhos e bogalhos, fala-se de confiança como se fosse uma ciência certa. No entanto o número que mais confusão me faz é o endividamento das familias. O número é lançado para o ar, os portugueses gastam mais 30% do que ganham. E daí? Bem diz o João Miranda que é uma decisão individual. E ao contrário do que muitos pensam não é um problema, façamos as contas: O “António” ganha 15 000 euros ao ano, e acha a casa da sua vida por apenas 30 000 euros! Decide pedir um empréstimo, que paga ao banco uns 50 euros por mês. A verdade é que o António ficou “extremamente endividado”, ganha 15 000 euros e deve 30 000, ou seja deve 200% do seu rendimento! Um irresponsável.
A situação seria gravosa se o endividamento não fosse na grande maioria dos casos para a compra de bens duradouros, mas e mesmo assim, seria uma decisão de cada um.
Como podem ver na imagem a situação de Portugal não é muito diferente de outros países, e os irresponsáveis da Dinamarca devem duas vezes e meia aquilo que ganham.

Já fui à feira do livro, hora e meia a subir e descer. Oitenta euros depois e doze livros em sacos o que fica? Talvez mais do que feira seja um mercado, tal e qual o mercado de bairro os vendedores repetem-se ano para ano no mesmo sítio com os mesmo stands. O que nos leva a perguntar sobre a suposta igualdade entre editoras. Este ano a feira foi puxada um pouco mais para baixo, ao topo (que não chega a ser o topo do Eduardo VII), uma enorme tenda de plástico, que deve produzir temperaturas agradáveis em África, alberga um auditório não sei para que conferências. Ou seja 99% da feira do livro é idêntica ao ano passado, e 99% do espaço é dedicado à venda do livro, por isso não faz muito sentido a mistificação da feira do livro como orgia intelectual.
Chego por fim ao pavilhões da Leya, e como era de esperar, não percebi a razão da polémica. A Leya fez a escolha sensata de deixar as pessoas entrar nos pavilhões e deixar também lá os livros, assim caso chova, como chove sempre na feira do livro, os pavilhões protegem os livros e os visitantes e não somente os vendedores. Seis ou sete pavilhões formam uma praceta, e os pavilhões têm acesso para deficientes motores, vamos criticar isto também com o argumento que o engraçado na feira do livro é a subida da ladeira em calçada com buracos?
Acabei por não comprar nada no pavilhão da Leya, afinal só vou à feira do livro para comprar bem e barato, tal como em qualquer mercado, e como já disse é essa a verdadeira celebração do livro.